Material Bélico "STEYR-DAIMLER-PUCH AG"

O  A.D.M.K. na Escola de Material Bélico,
no Rio de Janeiro, em 1988. (Crédito da
foto: autor)

Na Escola de Material Bélico, no Rio de Janeiro, existe em um estranho veículo militar austríaco produzido pela STEYR-DAIMLER-PUCH AG.(www.steyr-ssf.com)
O A.D.M.K. em testes de campo, tracionando uma peça de artilharia, como um  Half-track e atravessando um
rio. (Crédito das fotos: autor)
O A.D.M.K. na configuração de lagartas demonstrando sua versatilidade, à esquerda. Notar a metralhadora
Todos acreditavam tratar-se de um trator militar da 1ª Guerra Mundial, conforme informava uma placa colocada sobre o mesmo.
Este veículo sobre lagartas apto para qualquer terreno, capaz de rebocar peças de artilharia e produzido para o Exército Austríaco pela firma STEYR-DAIMLER-PUCH AG de Viena,firma esta resultante da fusão daAUSTRO-DAIMLER-PUCH-WERK com a STEYR-DAIMLER PUCH AG, ocorrida em 10.05.1935.
Este estranho veículo fora desenvolvido em 1933 com a designação  de A.D.M.K.(Austro-DaimlerMotorKarette) Mulus (Macho), sendo o primeiro veículo a ter sucessocom seu sistema de lagartas e rodas, podendo operar ambos os sistemas alternadamente, muito embora não tenha sido o primeiro em concepção. Sua produção atingiu a cifra de 300 exemplares entre 1935 e 1940, utilizado até pelo Exército Alemão durante a campanha da Noruega em 1940. Adaptava-se bem ao relevo austríaco, podendo rodar tanto em terrenos planos utilizando suas quatro rodas, bem como podia subir em terrenos íngremes e pantanosos utilizando suas lagartas.
O A.D.M.K. na configuração de lagartas demonstrando sua versatilidade, à esquerda. Notar a metralhadora
SCHWARTZLOSE à frente do volante. À direita,  o “Mulus” em uso pelo Exército Alemão, na Campanha da
Noruega em 1940.  (Crédito das fotos: autor)
Este único veículo possui sua origem não numa compra de armamentos feita pelo Brasil junto a Áustria, mas o mesmo foi doado em 1940, juntamente
com outros veículos fabricados pela Steyr-Daimler-Puch AG  pelo Barão  Ludwig  Kummer, representante daquela firma para Vender produtos militares na  Europa, Ásia e América do Sul.O Barão  Kummer chegou ao Brasil em 1937, e foi oferecer seus veículos militares ao Exército Chileno e Argentino, antes de se radicar no Brasil como asilado político, pois quando em 1938 a Alemanha de Hitler anexa a Áustria o Barão Kummer forja uma venda de material bélico ao governo Argentino, vai a ex-Áustria e consegue trazer todos os seus bens pessoais, dinheiro e família, vindo residir definitivamente no Brasil.
Ocorre, porém, que como representante da firma Steyr, junto a ele vieram um exemplar de cada modelo de veículo militar que era testado e oferecida sua venda a alguns exército 
sul-americanos. Quando de sua volta definitiva para o Brasil, por volta de 1939, ele adquiriu propriedades em São João da Barra no Espírito Santo e lá fundou a maior fábrica de farinha de mandioca da América Latina, aTIPITY-INDÚSTRIAS DE MANDIOCA LTDA. A 2ª guerra alastrava-se na Europa e o Brasil em pleno Estado Novo (1937 - 45) encontrava-se num grande dilema, ficar ao lado das potências do eixo ou ficar ao lado dosaliados. No âmbito interno existiam correntes pró e contra o governo Alemão, e em  08.07. 1940 o jornal FOLHA CARIOCA em manchete sensacionalista acusa a fábrica Tipity de colaborar com os nazistas, ajudando um submarino alemão na costa  brasileira.
Como  fato paralelo o Barão Kummer havia trazido para o Brasil os veículos militares da firma Steyr que encontravam-se em testes na Argentina e que vieram para testes junto ao Exército Brasileiro nos meses de agosto e setembro daquele ano. De fato os veículos vieram da Argentina a bordo do navio D.Pedro I do Lloyde Brasileiro e desembarcados no porto do Rio de Janeiro em 18 de abril de 1940, por ordem do Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra.  
Este veículo ainda encontra-se preservado junto a Escola de Material Bélico no Rio de Janeiro e participa de desfiles nas festas comemorativas aos aniversários da Escola, andando valentemente com seu motor original, apenas desfalcado de suas rodas, pois a parte dianteira vista nas fotos não foi preservada, mas seu sistema de lagartas funcionava muito bem pela sua idade. Provavelmente é o único exemplar existente hoje no mundo.


Detalhes do “Mulus” da EsMB. (Crédito das fotos: autor)

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